Dois pesos e Duas Medidas

Desde a mais tenra idade me faço uma pergunta.

Para começar fui criado dentro de uma igreja, meu pai era pastor daqueles fanáticos, mas eu sempre me perguntava até onde tudo aquilo que ele pregava era verdade, e até hoje faço a mesma pergunta.

Uns dias atrás vi em determinado canal de TV a notícia de que uma cartomante estava sendo presa por ter enganado várias pessoas, que foram atrás dela na esperança de encontrar alento para suas suplicas, problemas emocionais e doenças psicossomáticas. Estas pessoas entregaram a ela uma soma de dinheiro, muitos deram tudo que tinham e por tal feito ela foi presa.

Até aí tudo bem, um preso e uma medida. Vamos agora olhar com bastante atenção, eu vejo direto na TV vários pastores gritando aos berros e mais um monte de outros da mesma espécie fazendo cego ver, paralíticos andar, curam câncer, restauram empresas quebradas, vendem terreno no céu ao lado do tal deus e mais um monte de barbaridades.

Ai aflora novamente a pergunta porque a cartomante não pode e os pastores e os padres podem fazer o mesmo sem a interferência da lei? porque não são presas também se o crime é o mesmo?

Tudo bem não sou contra a crença de cada um, mas existe um limite entre a razão e a enganação. Estas pessoas são levadas como rebanho para um tabernáculo e lá sofrem uma lavagem cerebral das mais intensas, sendo enganadas com falsos milagres, espoliadas de seus bens que muitas vezes foram ganhos com extremo sacrifício com a premissa de quanto mais derem a Deus mais vão receber de volta. Como se o tal Deus tivesse necessidades de coisas materiais para viver no tal céu.

Sou sabedor que existe a lei da liberdade de expressão e a manifestação religiosa mas a justiça tem que olhar com olhos mais abertos para os cultos religiosos porque ali esta uma exploração da cruz e muita enganassão. Fico atônito do que estou vendo, e faço a mesma pergunta do macaco: “eu só queria entederrrrrrrrrrrrrrrrr”…

Ser ateu é só isto…

Viver a sua vida honestamente pelo simples fato de saber que esta é a forma correta, sem a exigência de recompensas ou medo de castigos eternos .

Ter a certeza que depois de sua morte , restarão apenas seus atos, que por mais insignificantes que possam parecer, poderão decidir o futuro de muitos.

Acreditar na ciência como o caminho possível de adquirir conhecimentos que ajudarão a desvendar mistérios naturais que poderão facilitar a vida do próximo.

Não temer a escuridão, vendo-a apenas como falta de luz, e não como esconderijo de fantasmas.

Adquirir a maior idade intelectual e não punitiva, sabendo que o maior tesouro da humanidade é a imaginação e a liberdade de escolher o rumo de seus pensamentos.

Ter a humildade de se colocar ao lado de todos os outros animais que convivem em nosso planeta, conseguindo se libertar dos fantasmas que povoavam as mentes dos nossos antepassados, não os condenando por isto.

Reconhecer que seu corpo pertence somente apenas ao universo, berço de toda manifestação física, a qual sempre fará parte.

Prestar justa homenagem a todos ancestrais, reconhecendo as incertezas e dificuldades que nos trouxeram até este ponto de evolução.

Rebelar-se, questionando sempre oque é imposto, na busca de verdades e da liberdade.

Não acreditar por medo de pecar , não se sentir obrigado por convenções a fingir que vê o que não existe.

Viver a vida na na mais pura essência, como o animal que é na real.

Ser ateu é só isto.

O filho da puta

Por Marcel Moreira

O filho da puta

O filho da puta é um puta dum filho de baixa conduta

Criado no lixo, sem endereço fixo e com mulher prostituta

Metido no vício, marginal de vocação, sem empregado e nem patrão

Deitado na marquise, falando sozinho em seu mundo ilusório

De olhos pesados, dopados, vidrados, tristes

Pela pinga barata sorvida como se fosse uísque

Medroso de dia, corajoso sob a lua

Escarrado quando sai o sol, aparecido quando a noite cai

Sem direito a voto, nem visto, nem veste, nem voz

Sobrevivente de aborto, rubéola, sarampo, cheio de piolho

Coxo de uma perna, anda sem bengala e é cego de um olho

Cheirando a urina e com resto de fezes embaixo da unha comprida

Por amigo um cachorro

Por inimigo, quase todos

Anestesiado de dor

Tem cheiro de morte e tristeza

Tem um pouco de homem

Tem um muito de fome

Tem dias que ele dorme

Tem dias que ele some

E volta danado com Deus

E deita-se em frente à Igreja pra gemer de solidão

O filho da puta é um puta dum filho de baixa conduta

Que ninguém ensinou o que é certo ou errado

Sobrevivente de aborto e abortado do povo

O último de todos, puxado com rodo

Humilhado na terra, não faz a mínima idéia

De que a justiça divina, por demais esquisita

Diz que o céu o espera…

http://colunistas.ig.com.br/luisnassif/

O mendigo e o cachorro

O fato que vou narrar ouvi em uma colônia de pescadores  no litoral em Santa Catarina.

Há muito tempo atrás um homem não muito jovem perambulava nas areias daquelas praias, tinha até uma boa aparência mas era muito mal tratado pela vida que levava, pois  vivia dos restos de alimentos a aquilo que alguém lhe desse.

Ele tinha um companheiro inseparável, um cachorro, eles viviam sempre juntos na fome e  na miséria da vida enfrentando o frio, as chuvas e as doenças mas eram sempre vistos juntos perambulado pelas areias brancas da praia.

Em noites de lua os dois se olhavam com uma espécie de encantamento mas como tudo para eles era dureza o coitado do homem  adoeceu e se recolheu em um canto, ali ficou com sua agonia de morte e aos pouco foi definhando, o cão ficou em vigília, encostando  nele como em um gesto de carinho e proteção o aquecendo durante a noite, e por vários dia e noites seu amigo ardeu em febre e delírios, morrendo após alguns dias.

O cão montou guarda  dia e noite até que o corpo do amigo fica-se totalmente decomposto, quando somente os ossos restaram ele cavou um buraco na areia e pegou osso por osso e enterrou deixando por ultimo o crânio do amigo, então começou a lambe-lo como fazia quando acordava seu amigo em  vida.

Neste momento passa um menino e o chama, ele balança o rabo e sai correndo atrás do menino, parando repentinamente, olhou para trás meteu o rabo entre as pernas como em um ato de submissão e retornou  para a onde seu amigo estava enterrado, lá deitou-se e ficou por muitos e muitos dias de vigília sem alimentos e sem água e se alguém se aproxima-se  ele rosnava, aos poucos foi ficando fraco até o dia que também morreu.

Mas ai seus despojos permanecerão e o tempo e o vento também se encarregarão de cobrir seus restos, mas não acabou assim, todas as noites de lua cheia a meia noite eles aparecem se olhando lado a lado, com a única riqueza da eternidade sendo o brilho da lua.

Venham a mim, pobres e necessitados que aqui é vossa casa

Fato importante que aconteceu em uma determinada igreja, em um lindo domingo ensolarado de outono, a igreja lotada de fiéis em orações fervorosas e suplicas de pedido de clemência.

Quando adentra no templo de deus um farrapo humano, de pés descalços, roupas esfarrapadas e feridas pelo corpo, ele começa a caminhar em direção ao altar, conforme vai passando as pessoas abrem espaço com uma expressão de nojo e espanto, tapando os narizes e se afastando dele, o homem continua a sua caminhada até chegar na frente do altar. Em todos os cantos ressoam os murmúrios de irritação e descontentamento dos que ali se encontram, então dois fieis o abordaram e pediram para que ele os acompanha-se para fora da igreja, o homem baixou sua cabeça e saiu, então os fiéis voltaram para a igreja com um ar de contentamento por ter retirado o incomodo do ambiente.

Então uma das crianças que estava brincando na frente da igreja viu o homem cabisbaixo com lágrimas nos olhos e perguntou porque ele tinha sido retirado de lá, e ele respondeu:

_ Estais vendo quantos carros bonitos e novos estão aqui na frente? Como as pessoas estão arrumadas e cheirosas? então acontece que a miséria e a fome não fazem bem para eles, e meu cheiro, o cheiro dos excluídos, eles ignoram, por isto me tirarão de lá de dentro, agora com licença garotinho, que vou voltar para meu lugar onde um dia estes mesmos que hoje suplicam para serem perdoados me colocaram, e depois de mais de dois mil anos, de lá eu vejo o tamanho da falsidade e a real falta de amor que eles ainda tem pelos seus semelhantes.

E começou a caminhar entrando na igreja sem ser notado porque se tornou um espírito e subiu na cruz e de lá ficou observando o ar de santidade de todos que ali estavam, e com desdém pensou: “Lá vou eu, ouvir sempre a mesma ladainha, somente da boca para fora, com promessas de sentimentos nobres para aliviar a culpa de tanta miséria e sofrimento que esses hipócritas espalham neste mundo, então vamos lá, até o próximo domingo, se deus quiser”.

Voando com borboletas

Um casal de amantes se encontrava toda a semana para namorar, ele homem maduro e ela também.

Terça-feira  meio dia, ela liga para ele, ele atende:
_ Oi meu docinho lindo, eu estou quase louca
_ Porque minha linda?
_ Estou toda molhada, e parece que dentro de mim tem um montão de borboletas.
_ Então vamos nos encontrar, hoje depois das 6 horas.
_ Tá bom, vou te esperar.

Seis da tarde e ele esta lá  para pega–la, vão comer um lanche, tomam uma cervejinha e conversam sobre assuntos do cotidiano, então trocam olhares e percebem que o clima está ficando quente, está na hora de partir para um lugar mais reservado.

Depois do lanche vão tomar um banho para se refrescar,  começam a brincar como duas crianças, se beijando e com o sabonete um lava as partes intimas do outro, os beijos vão ficando mais intensos, mais quentes e molhados, atiçando os desejos.

Saindo do chuveiro deitam na cama, e com as brincadeiras eróticas o tempo vai passando sem que notem, naquele momento aos poucos ela começa a abrir as pernas e ele se aproxima lentamente e com sua lança começando a viagem para o interior de sua gruta umedecida e sedenta de prazer, aos poucas, sem pressa, adentra latejando, e ela com contrações, com as pernas tremendo de prazer, em um ritmo de valsa se encontram no fundo, e recomeçam, mais rápido, mas com carinho, então trocam um longo e apaixonado beijo, ele a fita bem dentro dos olhos e recomeça, como num passe de mágica ela o suga para dentro de seus olhos e ele mergulha em sua alma, maravilhado ele se entrega a deusa do amor e neste momento surgem as borboletas, como num ritual divino ele é levado para um vôo mágico, sentindo em seu rosto o frescor das asas e o carinho de seda em sua alma.

As horas se passam e repentinamente ele sente que se permanecer mais um pouco ali  nunca mais vai sair, porque as borboletas através da mulher falavam coisas de amor infinito, palavra doces como mel, então ele lembrou do canto das sereias seres mitológicos que os marinheiros tanto temiam.

E as borboletas suplicavam sua permanência, e ele voltava com mais um beijo frenético e soltando um urro de leão, como que demarcando seu território, e em movimentos frenéticos inundava a sua gruta do amor, e ela tomada por um tremor de volúpias tem incontáveis orgasmos, terminando três horas depois abraçados entre lençóis contorcidos, travesseiros desarrumados  e roupas no chão.

Entrelaçados e ofegantes, caiem nos braços de Morfeu, adormecendo um sono profundo e reconfortante, a  cidade começa a acordar e eles se levantavam, ele a leva para o trabalho e marcam um novo encontro para a próxima semana, mesma hora mesmo local.

—————-

O autor deixa no ar se alguém de vocês alguma vez já voou com borboletas,  respondam se tiverem coragem, isto é possível, dou minha palavra  a vocês.

O homem e a passarinha, lição de vida

Um certo dia, há alguns anos atrás, um homem foi visitar um amigo. Lá chegando ele bateu em sua porta, a porta se abriu mas não foi o amigo ou sua mulher que estavam do outro lado e sim uma passarinha, pequenina estava ela muito triste, com uma das asas e uma patinha quebrada. O homem ficou consternado com o fato, pegou a passarinha e acariciou suas peninhas sem brilho, desmerecidas pelos maus tratos que recebia.

Então ele curou suas feridas e aos poucos ela foi ficando forte e bonita, retornando o brilho de suas peninhas e olhos, então aconteceu que ela o convidou para voar, o homem estava feliz e triste ao mesmo tempo, porque como ele poderia voar se não tinha asas para isto?

Então a sua tristeza momentânea acabou como num passe de mágica, ele viu que estava também com duas asas lindas e fortes, e sem pestanejar os dois alçarão um vôo espetacular, alegres e felizes em uma revoada frenética.

Então do nada surge um pássaro do paraíso e a convida para acompanha-lo, ela aceita e sai com este pássaro, em uma velocidade incrível, velocidade que o homem tentou acompanhar, porém sem sucesso perdeu as forças e caiu, se espatifando no chão.

Depois de um tempo ele pensou, “Mas eu sou um homem!” e levantou com dificuldade, correu ao espelho e viu que as asas estavam lá, então repentinamente sentiu a dor dos ferimentos, deitando em agonia ele finalmente percebeu que em troca do amor e alegria de ter salvo a passarinha, a vida havia o tratado de forma tão ingrata recebendo como recompensa dela somente o abandono e o desprezo, então suspirou e proferiu na agonia final seu ultimo pensamento “A vida não passa de um mal entendido trágico, por isto nada há a perguntar, porque não há nada a saber dela”

————-

Por favor, convido a todos os leitores que comentem sobre a sua interpretação da história.